Associação Mundaréu Alternativas de Geração de Renda para Comunidades de produção artesanal
A palestra apresentará em linhas gerais o trabalho da Associação Mundaréu, integrante da Rede Comércio Justo (Fair Trade) que desde 2002 vem realizando Programas de Capacitação com comunidades de produção artesanal e comercialização de seus produtos. Essas comunidades estão presentes em diversos Estados do Brasil, mas a atuação da Mundaréu em projetos de capacitação se dá principalmente em grupos situados na periferia de São Paulo, com pessoas excluídas do mercado formal de trabalho, dispostas a se organizarem para gerarem a própria renda. O Design tem papel fundamental dentro do Programa, através do Desenvolvimento de Produtos. Nessas atividades o designer constrói junto com o grupo de artesãos, linhas de produtos comercialmente viáveis, tendo como bases referências que fortalecerão a identidade do grupo, o aperfeiçoamento técnico, o uso adequado e ambientalmente responsável dos materiais e o saber fazer artesanal como diferencial produtivo. Serão apresentados alguns cases desses projetos.
Renata MendesGraduada em Desenho Industrial em 2000, pela FAAP, atua desde 2002 com desenvolvimento de produtos junto às comunidades de produção artesanal. Fez parte dos programas de integração design e artesanato do Sebrae PB, em cinco municípios do Pacto Curimataú - Seridó e do Sebrae SP, na Ilha Solteira e na capital.Desde 2002 trabalha na OSCIP Associação Mundaréu, onde atualmente faz parte da direção de projetos e coordena a área de design de produtos. Na Mundaréu, estruturou uma metodologia de trabalho para o desenvolvimento de produtos com o fazer artesanal de grupos que não estão ligados à fortes identidades regionais e ao artesanato de raiz que é passado de geração à geração. Os grupos parceiros, em sua maioria são urbanos e localizados na periferia da cidade de São Paulo. São formados por pessoas excluídas do mercado formal de trabalho, que fazem uso de suas habilidades manuais como alternativa para geração de renda. A atuação da designer consiste em fazer com que técnicas artesanais de uso comum possam se tornar produtos diferenciados e com potencial de venda. Isso é feito através da troca de experiências, da pesquisa, da qualificação das técnicas artesanais, do conhecimento do mercado consumidor e, principalmente, de um olhar diferenciado sobre a vida cotidiana, para que nela o grupo descubra as referências para a estruturação de sua identidade, conseqüentemente, de seu diferencial criador e produtivo. O reaproveitamento de materiais tem sido outra característica importante do trabalho com esses grupos. A oferta de resíduos abre aos grupos uma importante fonte de matéria-prima a custos baixos e a oportunidade de contribuir para a diminuição do lixo. Mais uma vez um olhar atento e diferenciado sobre a matéria-prima dá o mote para a criação de um bom produto.O exercício da pesquisa, da melhoria da qualidade, do diferencial criativo, da capacidade produtiva está sempre ligado ao objetivo de gerar renda, para que o resultado do desenvolvimento sejam produtos comercialmente viáveis.O maior valor desse trabalho, aos olhos da designer, está nessa “ampliação do olhar” que as atividades proporcionam. É na troca de experiências entre os integrantes e o designer, que cada um enquanto indivíduo e enquanto parte de um grupo, conhece seu potencial pessoal e o potencial do seu trabalho. É a partir daí que todos se aperfeiçoam, fazem descobertas em seu próprio cotidiano e em realidades diferentes das suas. Essas descobertas e o bom uso delas direcionam todo o processo de desenvolvimento de produtos.